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Em tempos de sufrágios nos quais se definem os caminhos que darão forma ao futuro de Portugal, importa relembrar que os Portugueses têm a liberdade de escolher os deputados que vão governar o país, de escolher os autocarros que lhes pareçam os mais adequados para chegar aos seus destinos e até de utilizar os hospitais que melhor se adeqúem à resolução das maleitas que os afectam. Mas ainda não têm a liberdade de escolher a escola que lhes parece melhor para educa os seus filhos…

 

De facto, pese embora o uso e abuso dos chavões relacionados com a liberdade e que proliferaram sobretudo depois do 25 de Abril, o certo é que ela ainda não chegou à escola nem à educação.

 

Na prática, Portugal vive o sector educativo de uma forma ainda muito próxima daquela que conheceu durante a vigência do Estado Novo, apesar da diferença em termos dos recursos que gasta com a escola e a necessidade de tentar torná-la acessível a todos os cidadãos. Esta discrepância, encoberta pelo mito de que a escola é para todos e que o Estado a garanta a todos nas mesmas condições e com a mesma qualidade, faz com que Portugal desperdice recursos e, mais importante ainda, que efectivamente descrimine aqueles que devido às suas fragilidades económicas ou sociais, não têm os recursos suficientes para escolher a escola que querem para os seus filhos.

 

As escolas continuam presas a ideias velhas cujas origens se perdem no tempo, e vivem incapacitadas de exercer a sua liberdade com a autonomia e a responsabilidade que advogamos. Temos de ser capazes de libertar a escola e a educação do controlo centralizador e monolítico do Estado, sob pena de estarmos a condenar as futuras gerações de Portugueses a não serem cidadãos livres e conscientes. A educação em liberdade e para a liberdade é um dos pilares básicos da cidadania e, em última instância, dele depende a sobrevivência da própria democracia.

 

Não falamos, como é evidente, de pessoas, de partidos ou sequer de legislaturas. O problema de falta de liberdade no nosso sistema educativo arrasta-se há muitas décadas e fundamenta-se numa prática que é transversal ao esforço que cada governo possa fazer durante o seu mandato. Note-se que, em termos do Estado e sobretudo ao nível do Ministério da Educação e das suas sub-estruturas, têm sido muitos esforços e dedicado muito empenhamento para tentar solucionar os muitos problemas com que nos debatemos. E transversalmente, qualquer que seja o partido que está no governo, assistimos a um clima de permanente instabilidade e de confronto generalizado que nada serve para o incremento da qualidade que desejam os Portugueses.

 

O sistema, tal como existe e se organiza, leva os governantes a dedicarem todo o seu esforço e tempo à gestão do sistema, deixando para segundo plano os verdadeiros destinatários, ou sejam, os alunos e as suas famílias. Desta maneira, não sendo capaz de recentrar a educação na verdadeira essência dos seus problemas revelar-se-á dificílimo inverter a situação e garantir que a escola se torna numa efectiva mais valia para as próxima gerações de Portugueses.

 

Se tudo correr normalmente, os Portugueses voltarão às urnas em breve para escolherem aquele que vai ser o próximo Presidente da República. Mas continuam impedidos de escolher o percurso educativo dos seus filhos.

 

Porque somos livres na maior parte das áreas e sectores essenciais para a nossa vida desde há mais de quarenta anos e a educação, qual ovelha negra, continua a viver um paradigma que já ninguém quer nem defende…

 

FORUM PARA A LIBERDADE DE EDUCAÇÃO

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publicado às 13:36


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