Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


prison.png

 

por Fernando Adão da Fonseca

 

No início do período de vigência do Estado Novo, durante a década de 30 do Século XX, Portugal debatia-se com gravíssimo problemas de alfabetização. O número de analfabetos era enorme e é preciso recordar que perto de 68% dos Portugueses não sabia ler nem escrever…

 

Como é evidente, perante um cenário catastrófico como este, agravado pelo facto de a situação nos restantes Países da Europa ser já nessa altura bastante diferente, a única opção era massificar o acesso à escola e multiplicar a possibilidade de que muitos mais pudessem pelo menos aprender o básico que lhes permitisse sobreviver nesse Mundo também ele em profunda e rápida transformação.

 

A aposta no ensino primário, com o investimento na construção de um elevado número de escolas, foi por isso a opção tomada e que, pelo menos até à chegada ao Ministério da Educação do Professor Veiga Simão, já na década de 70, conheceu poucas alterações significativas. A generalização do ensino, seguindo o modelo Francês era o único caminho que surgia como viável perante os muitos problemas existentes e, centralizado numa estrutura estática, a educação era entendida como uma ferramenta de controle efectivo das comunidades.

 

Por incrível que pareça, pouco mudou depois da revolução de 25 de Abril de 1974. Embora tenham trocado a estrutura de ensino decalcada da educação Francesa pelo modelo Sueco, não perceberam que a Suécia estava já nessa altura em profunda transformação, alterando os paradigmas dessa escola que eles já sabiam que era desadequada perante os desafios novos que a modernidade lhes trouxera.

 

A partir dos anos 80, com o advento da tecnologia digital, tudo mudou no Mundo em que vivemos. A rapidez no acesso à informação tornou-se mote para novas descobertas e a sociedade conheceu um período de rapidíssimo progresso e desenvolvimento que exigia permanentemente novos e dinâmicos processo de educação que fossem capazes de integrar a novidade e de se adaptar à velocidade dos tempos. Foi nessa altura, para poder garantir a supremacia económica que resulta da qualidade do seu ensino escolar, que a Suécia introduziu a liberdade de educação como base de mudança no seu sistema de ensino, alterando com isso de forma brutal o paradigma social que dava forma à sua existência.

 

Em Portugal não foi isso que aconteceu. Não tendo visto – sequer reparado – que o Mundo lá fora se alterava rapidamente, por cá os governos democráticos foram sucessivamente adiando a reforma e mantendo os paradigmas velhos de outros tempos. A liberdade, entendida como uma forma perigosa de fomentar a consciência própria, foi literalmente banida do sistema e as famílias, tal como acontecia durante o Estado Novo, foram impedidas de escolher livremente o percurso educativo dos seus filhos. Também contrariando o que se passava na generalidade dos Países Europeus, a liberdade de criar escolas, de gerir a autonomia dentro delas, e até a gestão corrente de currículos e conteúdos que tão importante se afigura para recriar essa adaptabilidade que é essencial aos novos tempos, foi adiada ao longo dos anos, fazendo com que cheguemos à actualidade com um sistema educativo que não integra os valores da liberdade, que não educa para a liberdade e, sobretudo, que não aceita que a liberdade seja o principal motor modernizador do próprio sistema.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:45


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Dezembro 2016

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031



Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D